Bom dia a todos!!
Após exatamente um mês da publicação do meu último post, estou de volta para tecer mais alguns comentários sobre a prescrição do treinamento de força. Recentemente li alguns artigos na internet, nenhum deles de cunho científico, apenas curiosidades sobre preparação física, treinamento de força e potência, e vi uma matéria publicada no site UOL sobre mudanças nos treinamentos de atletas da natação brasileira após a proibição do uso dos super-maiôs. Alguns atletas de ponta começaram a fazer uso mais constante do treinamento de força pois, segundo os técnicos, quanto mais massa muscular esses atletas tiverem, maior será a sua flutuação devido à densidade corporal ser maior na água. Na realidade é exatamente isso o que os super-maiôs fazem, ou seja, melhorar a flutuabilidade dos atletas. Mais uma vez isso comprova a minha tese de que o treinamento de força é a base para tudo.
Falando sobre a relação do treinamento de força com o treinamento de outras capacidades, tais como resistência aeróbica e anaeróbica, velocidade e agilidade, faço a seguinte pergunta: Como relacioná-las sem que o desenvolvimento de uma prejudique o desenvolvimento da outra?
Vamos tentar raciocinar de maneira lógica. Na verdade é a minha opinião sobre o assunto e a forma como eu trabalho, o que não significa estar totalmente correto, mas tem dado certo no meu dia-a-dia.
Treinamento de Força x Treinamento de Resistência
Pensando no fato de serem duas capacidades antagônicas, como treinar uma sem prejudicar a outra? Na verdade o treinamento de força faz parte da minha periodização desde o primeiro dia de trabalho com os atletas. Geralmente eu planejo um treinamento de resistência muscular localizada (resistência de força) por algumas semanas, seguido de treinamento para hipertrofia nas semanas seguintes. A idéia é realmente aumentar o volume muscular primeiro para, posteriormente, desenvolver resistência. Se eu tenho um músculo com um determinado volume e outro com um volume maior, qual dos dois desenvolverá maior resistência em resposta a um treinamento específico? Teoricamente um músculo maior será mais resistente à um dado estímulo de treinamento. Mas como treinar essa resistência específica? Eu, particularmente, não gosto de aplicar treinamentos contínuos de corrida para atletas de modalidades de quadra, já que o gesto motor específico não tem relação com a corrida contínua e linear. No basquete e handebol, por exemplo, os tiros são curtos e com muitas mudanças de direção, sem corridas lineares. No voleibol então, nem se fala! Muitos deslocamentos curtos e laterais, praticamente sem corrida nenhuma. Sendo assim, utilizo muito treinamento em forma de circuitos, com estações de deslocamentos curtos e mudanças de direção variadas, com estímulos longos, de média intensidade e intervalos curtos de recuperação. O uso de jogos adaptados também é bem visto, pois os atletas preferem o trabalho com bola, portanto, o rendimento é bem melhor. No meu entendimento, o treinamento da resistência deve ser o mais específico possível, de acordo com a exigência de cada modalidade. Sendo assim, nessa primeira fase de treinamento de força, onde o foco é o desenvolvimento muscular, realizo um circuito de resistência por semana (sempre lembrando que as equipes treinam apenas três vezes por semana). É uma fase com volume grande de treinamento, portanto é possível que façamos esse tipo de programação.
Após essa fase inicial de desenvolvimento de força, onde os atletas já têm uma melhor condição muscular, passamos a realizar treinamentos de resistência anaeróbica. Geralmente utilizo treinamento intervalado, com tiros curtos e intensos, intervalos curtos de recuperação entre cada tiro, variando a distância total entre 300mts e 1000mts, de acordo com o período e a necessidade de cada equipe. Vale lembrar que esse tipo de treinamento é muito intenso e é necessário que os atletas tenham um bom nível de força e desenvolvimento muscular, pois o risco de ocorrência de lesões é alto.
No próximo post vamos relacionar o treinamento de força com as capacidades velocidade e a agilidade.
Um abraço e até a próxima!
Prof. Leandro