quarta-feira, 7 de abril de 2010

Programando o Treinamento de Força (Parte II)

Bom dia a todos!

Bem, voltando ao assunto, vamos falar hoje sobre algumas variáveis que utilizamos para prescrever o treinamento de força de nossos atletas. Gostaria de salientar que estes textos que escrevo não têm cunho científico. Claro que utilizo algumas referências científicas para prescrever os treinamentos, mas o que escrevo aqui é apenas uma narrativa do meu dia-a-dia de trabalho, uma troca de experiências com quem acompanha este blog.
Uma das grandes dúvidas que tive no começo, e ainda as tenho, é sobre a escolha dos exercícios a serem aplicados. A primeira planilha que fiz, correspondente ao período preparatório básico, continha exercícios de fortalecimento de segmentos corporais e grupos musculares isolados. A minha idéia inicial era dar um mínimo de experiência aos atletas que não haviam feito nenhum tipo de treinamento de força anteriormente, e, aos que já tinham essa experiência, fazer um trabalho de fortalecimento geral de início de temporada. Até aí tudo bem, programei os treinos para cada modalidade, fiz uma periodização de oito semanas de treinamento que incluíam resistência muscular, hipertrofia e força pura. Os trabalhos de potência muscular seriam a próxima fase de treinamento, já que cada modalidade tem a sua especificidade motora e as planilhas seriam diferenciadas a partir deste ponto. Mas, como dizemos, no treinamento esportivo não existe "receita de bolo". Alguns fatores foram nos influenciando a modificar os treinamentos no decorrer desse período. O primeiro deles foi a questão da duração do treino específico da preparação física. Os atletas perdiam muito tempo fazendo séries e repetições de vários exercícios diferentes. Um segundo fator foi a falta de material. Não dispomos de muito material de treino como anilhas e barras, e isso fazia com que muitos atletas tivessem que revezar os materiais em um mesmo exercício como, por exemplo, no agachamento, onde às vezes eu tinha até cinco atletas fazendo rodízio. Isso começou a atrapalhar o treinamento dos técnicos, pois o tempo para eles ficou reduzido.
Com o passar dos dias fui começando a pensar em uma maneira de otimizar o treinamento de força sem prejudicar o meu planejamento com os atletas e também o planejamento do trabalho específico dos técnicos. Como todo bom curioso comecei a pesquisar e a ler muitos artigos sobre treinamento de força, conversei com outros profissionais, vi muitos vídeos na internet (Deus salve o YouTube!!) e comecei a mudar meus conceitos e a testar novas metodologias. Pensando no aspecto da otimização sem perda da qualidade do trabalho, comecei a trabalhar com meus atletas a questão da "funcionalidade" no esporte, e não a segmentação dos movimentos, ou o trabalho muscular isolado. Pensei na seguinte hipótese: "se eu não disponho de uma academia com uma quantidade razoável de equipamentos, vou conseguir melhorar os níveis de força e potência dos meus atletas através do treinamento de movimentos específicos, utilizando exercícios multiarticulares". Penso que atletas de modalidades de quadra necessitam ter bons níveis de força, potência e agilidade. Alguns casos isolados necessitam de um trabalho para aumento de massa muscular, como no caso do handebol por exemplo, onde os atletas estão cada vez maiores e mais fortes. Mas dificilmente encontraremos atletas de modalidades esportivas com características de fisiculturista, onde o volume muscular se sobressai, mas os níveis de força específica são muito baixos. Sendo assim comecei a fazer uso dos exercícios de Arranque e Arremesso com meus atletas dentro do período preparatório básico, já que os utilizaria dentro do período preparatório específico, nos treinamentos de potência, pois são exercícios que têm como característica principal a velocidade de execução. Mas algumas pessoas podem questionar a "funcionalidade" desses exercícios para atletas de voleibol, basquetebol e handebol, por exemplo, pois não têm nenhuma especificidade com os gestos motores de cada uma dessas modalidades, a não ser para o próprio Levantamento de Peso Olímpico, que é uma modalidade esportiva. Pensei em utilizar esses exercícios na fase básica pois, por serem multiarticulares (mais de duas articulações envolvidas na movimento), são capazes de desenvolver no atleta, mesmo nos iniciantes, a coordenação neuromotora, a força em vários grupamentos musculares ao mesmo tempo e não isoladamente, pois alguns músculos trabalham como sinergistas auxiliando na estabilização das articulações envolvidas no movimento, além da potência muscular e também um certo nível de hipertrofia devido à utilização de um aumento progressivo de cargas. Também utilizo elásticos e bolas de medicinebol para fazer alguns trabalhos específicos com grupos musculares menores, principalmente nas modalidades que exijam arremesso de implementos, mas, basicamente, meu programa de treinamento de força atual é composto dos exercícios de agachamento e suas variações (afundo, com repulsão, etc.), arranque e arremesso. Ainda utilizo o supino pois acho um bom exercício para fortalecimento de cintura escapular, juntamente com o arremesso.
Pelo que pude perceber nas pesquisas que fiz, muitas modalidades esportivas utilizam o arranque e o arremesso em seus programas de preparação física. Isso é muito comum no atletismo, na natação, nas modalidades de luta e nas modalidades de quadra com as quais eu trabalho. No futebol não sei se alguém faz esse tipo de trabalho, mas os profissionais que conheço não os utilizam em seus programas de treinamento. Talvez seja o momento de aprofundarmos nossos estudos e quebrarmos certos paradigmas em relação a isso.
Gostaria de salientar que, em breve, estarei divulgando aqui minhas vídeo-aulas sobre Preparação Física nos Esportes. As vídeo-aulas serão postadas no meu canal do YouTube, juntamente com vídeos de exercícios que faço com os atletas no meu trabalho diário.
No próximo post continuaremos falando sobre treinamento de força e como fazer sua periodização em conjunto com outras capacidades que também devem ser trabalhadas, como a resistência e a capacidade aeróbicas, a velocidade e a agilidade.
Um abraço, e até o proximo post!
Prof. Leandro Carvalho

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