Na área de preparação física todo início de temporada é complicado quando temos que começar do zero. Mas, por outro lado, é bom, já que você terá a oportunidade de desenvolver uma nova metodologia de trabalho.
Aqui em Diadema, inicialmente fizemos algumas avaliações com os atletas das equipes de handebol masculino e feminino e de volei feminino, tais como avaliação de composição corporal e testes de potência. Em seguida criei uma periodização de treinamento para todas as modalidades, em algumas colocando dois picos de rendimento, em outras um só. Na verdade tomei como base os jogos regionais desse ano, que serão disputados no Guarujá. As equipes infantil e infanto de voleibol feminino iniciam suas competições participando dos jogos do Sindiclube, no dia 26 de abril, portanto se fez necessário prepará-las para esses jogos, já que se obtivermos resultados ruins no começo poderemos nos complicar nas finais, no segundo semestre.
Um dos maiores focos do meu trabalho nesse início de temporada é o treinamento de força. A maioria dos atletas, com exceção do handebol, não têm experiência com treinamento de força. Isso me fez tomar certos cuidados, principalmente com o correto ensino das técnicas de movimento em exercícios como agachamento e supino, por exemplo. Na próxima semana começo a ensinar a mecânica dos exercícios de arranque e arremesso. Por este motivo, mesmo que trabalhando com cargas baixas a moderadas por um espaço maior de tempo, acredito que ocorra uma evolução satisfatória, já que o simples processo de aprendizagem desses exercícios pode trazer a esses atletas um ganho neural muito grande, mesmo que não ocorram muitas modificações metabólicas nesse momento. Para a maioria é um trabalho novo, alguns estranham, muitos (principalmente os atletas do sexo masculino) pensam que o espaço de treino é uma academia, e querem ficar "fortinhos" e "sarados". Até explicar que a preparação física não é "treininho" de maromba de academia...Haja paciência!!
No Basquete masculino e feminino estamos entrando em uma fase de volume de treino, já que a programação deles é voltada somente para os regionais desse ano, mesmo tendo alguns jogos da Liga Paulista prestes a começar. O handebol masculino e feminino, pelo fato de já terem experiência em treinamento de força, comecei nessa semana a trabalhar força pura e potência, utilizando treinos combinados objetivando otimizar o tempo de treinamento e acelerar a preparação deles para os regionais. Um cuidado maior está sendo tomado com o voleibol feminino pela pouca, ou quase nenhuma, experiência com treino de força. Elas já vêm treinando há cinco semanas seguidas, construiram uma base razoável, e agora vamos partir para o treinamento de potência pelas próximas quatro semanas, até o primeiro jogo do sindiclube. Paralelamente faço um trabalho de circuito com elas todas as quartas-feiras trabalhando deslocamentos, agilidade e saltos variados.
No próximo post quero dissertar sobre algumas peculiaridades do nosso trabalho, algumas adaptações que tivemos que fazer em relação a tempo de treinamento e o que isso pode influenciar positivamente ou negativamente na preparação desses atletas.
Deixo algumas perguntas a serem respondidas nos próximos posts: Qual deve ser (se é que existe) o programa ideal de treinamento de força para esses atletas? Devemos treinar grupos musculares ou movimentos específicos? Devemos usar exercícios de cadeia cinética aberta ou fechada? Devemos usar exercícios mono, bi ou multiarticulares? Como otimizar o tempo de treinamento, haja visto que estes atletas treinam três vezes por semana, físico e técnico em conjunto? Lembrando que a grande maioria deles são de categorias menores (Infantil, Infanto, Cadete).
É isso aí, vamos estudar!!!
Saudações!!
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