terça-feira, 30 de março de 2010

Programando o treinamento de força (Parte I)

Bom dia
Um dos maiores desafios de um preparador físico é a elaboração do treinamento de força para seus atletas. O que devemos levar em consideração quando fazemos esse planejamento? O que vou escrever aqui está embasado pela minha experiência prática e pela realidade que tenho em meu dia-a-dia de trabalho. Certamente isso pode variar de profissional para profissional, mas espero que estas palavras possam, pelo menos, auxiliar no raciocínio técnico, colaborando na elaboração de muitos programas de treinamento de força aplicados ao esporte. Devemos considerar algumas variáveis importantes para essa programação e, para facilitar a compreensão, as dividirei em tópicos.
Estrutura Física: Esse é um dos principais pontos que devemos considerar no momento em que fazemos um planejamento da preparação física de qualquer equipe ou atleta de modalidade individual. De quais materiais dispomos para trabalhar? Qual é o espaço que temos para aplicar os treinamentos?
Vou citar o exemplo do meu trabalho com as equipes de voleibol, já que, tanto para o basquete quanto para o handebol a estrutura é muito parecida, e a metodologia de trabalho é praticamente a mesma, apenas considerando as diferenças de sexo e faixa etária, além das especificidades de cada modalidade: Os materiais que dispomos para trabalhar com essas equipes são barras livres, anilhas emborrachadas, bolas de medicinebol, cones, cordas, dois bancos de plinto com seis gavetas cada e faixas elásticas. Como não dispomos de nenhuma academia equipada com aparelhos de musculação, nos cabe agora elaborar uma metodologia adequada de treinamento utilizando os materiais que temos em mãos, sendo necessária a escolha de exercícios com barras livres. Para membros inferiores utilizamos o agachamento com barra livre e algumas variações, tais como afundo com barra livre e agachamento com repulsão (para treino de potência), além do Levantamento Terra, que também é feito com barra livre. O exercício supino montamos com uma barra livre e com duas gavetas de plinto, para as atletas se posicionarem em decúbito dorsal. Para membros superiores a maioria dos exercícios já são feitos utilizando barra livre, tais como rosca direta para bíceps, tríceps com barra ou anilha, elevação lateral para ombros, desenvolvimento frente e costas para cintura escapular e trapézio, além de remada lateral e inclinada para a parte posterior do tronco. Com base nessa estrutura elaboramos algumas planilhas de exercícios e as periodizamos dentro de um macrociclo de seis meses, visando os Jogos Regionais em Julho. Também utilizamos muito os circuitos de deslocamento, com exercícios de agilidade, pliométricos de baixo impacto e exercícios coordenativos. É um trabalho muito importante pois podemos transferir para a quadra a força que as atletas desenvolveram nesse período.
Espaço e Horários de Treino: Geralmente a preparação física é realizada em períodos e locais diferentes dos trabalhos técnicos e táticos específicos das modalidades. No nosso caso isso acaba sendo um fator complicador pois cada modalidade treina três vezes por semana, sendo que cada categoria treina em horários diferentes no mesmo dia. Por exemplo, citando o voleibol mais uma vez: o horário das alunas da "escolinha de voleibol" é das 14hs às 15Hs. Nesse momento, enquanto o técnico está na quadra, eu faço meu trabalho em um dos fundos da quadra com a equipe infantil, que entra logo em seguida, das 15 às 17hs para os trabalhos técnicos. Das 16 às 17hs algumas atletas da categoria infanto fazem a preparação física comigo pois entram em quadra das 17hs até as 19h30. Isso de certa forma dificulta o trabalho do técnico pois sabemos que, por não terem um tempo adequado de descanso após o treinamento físico, o trabalho técnico fica um pouco comprometido devido à fadiga acumulada entre os dois treinos, resultando em queda de rendimento técnico. Como isto é algo que já havíamos previsto durante a elaboração do planejamento, procuramos dosar as cargas de treinamento em quadra durante um certo período em detrimento da preparação física, e vice-versa, em períodos próximos de jogos.
Portanto, de acordo com a nossa estrutura física, tanto em termos de materiais disponíveis quanto de espaço físico, a única forma de conseguirmos fazer o trabalho proposto foi essa, onde as atletas fazem o treinamento físico antes do treino técnico, ocupando o mesmo espaço físico, apenas com a divisão dos horários de forma diferenciada para cada categoria. Lembrando mais uma vez que a estrutura de treino é a mesma tanto para o basquete quanto para o handebol.
No próximo post, discutiremos um pouco mais à respeito da composição do treinamento de força em si. Algumas das principais perguntas que deixo no ar são as seguintes: O que é melhor para um atleta de qualquer modalidade esportiva, treinar os grupos musculares separadamente ou treinar um movimento específico? Devemos utilizar exercícios tradicionais, como os citados no texto acima, ou utilizar exercícios mais complexos como o Arranque e o Arremesso, oriundos do levantamento olímpico e muito utilizados atualmente na preparação física em várias modalidades? Quais as particularidades de cada um deles e como devemos ensiná-los em cada categoria? Seriam eles mais eficientes que os outros? Em que fase devemos utilizá-los?
Pois é, como eu sempre digo, vamos estudar!!
Um abraço e até o próximo post.
Prof. Leandro Carvalho

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